terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Sobre um ano intenso


Foi um ano intenso.

Nessa mesma época, em 2016, eu estava terminando de determinar meu plano de campeonatos para 2017. Eram viagens, muito treino, muita organização e muita vontade.
Seis campeonatos de cricket e dez campeonatos de golfe depois, eu posso dizer uma coisa: que ano!




No cricket, tenho certeza de uma coisa: nunca treinei tanto. Tanto na parte técnica, quanto física, quanto emocional. 
Tive a oportunidade capitanear nossa equipe de Poços nos Nacionais e conseguir a vitória com um time sólido e maduro - sim, menininhas maduras! 
Tive a honra de ser nomeada capitã da Seleção e chegar muito perto do Tricampeonato. De sentir a emoção de ver a estratégia funcionar, de jogadores crescerem, de amigas chorarem de emoção! 
Conheci atletas que admirava e treinei com jogadoras internacionais, de nível que almejo. 
Foram muitos positivos e deixaram muita vontade de ter um 2018 de ainda mais intensidade. Eu quero mais para mim, para Poços, para as jogadoras do Brasil, para a Seleção. E vou buscar isso. 



No golfe, foi uma introspecção inimaginável - me conheci como nunca. Vi como reajo no meu melhor. Vi como reajo no meus momentos de fraqueza. Tomei decisões maduras e acertadas. Vi tacadas que nunca tinha conseguido fazer e estratégias bem determinadas.
Também vi comportamentos que posso melhorar e colapsos que não quero repetir. Mas mesmo assim, nada tira de mim o quanto foi um ano de evolução. 

Fisicamente, fiz milagres. Estendi a temporada de torneios ao limite - até chorar para parar de treinar. 
E essas lágrimas foram minha forma de desacreditar que 2017 havia acabado. 
E olhando pra trás, realmente difícil acreditar que em um ano coube toda essa bagagem e experiência.  

Essa semana, assim como 2016, fiz o rascunho dos meus planos de 2018. Não poderia estar mais empolgada, mais feliz e com mais certeza que estou fazendo o que eu amo, pelos motivos certos.

Que venha 2018! 

Que toda intensidade vire alegria!


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sobre Pequenas Vitórias


Foi uma das semanas mais excitantes da minha vida.

Há algumas semanas recebi o e-mail para representar o Brasil na Copa Los Andes, competição sul americana em equipes, jogada na Bolívia em 2017. Eu sabia que o ano tinha sido difícil, que o nível da competição é alto e que seria desgastante fisicamente e mentalmente.

Mas o que eu não sabia era o que a Los Andes faz por você. 

Eu não sabia o que o espírito de equipe faz com seu jogo. Eu não sabia que o esporte individual golfe pode ser tão coletivo quanto o que vivi essa semana. Eu não sabia que poderia tirar tanta força para buscar buracos que pareciam improváveis.

Foi uma semana de pequenas vitórias. De andar com a cabeça erguida e representando nossa bandeira com uma garra inexplicável. Foi de levantar a energia em cada batalha e dormir com a consciência em paz, sabendo que no final do dia, o melhor tinha sido feito.

Foi de lágrimas e de arrepios. Foi de gritar no green do 18 com a vitória no último buraco. Foi de embocar e gritar do coração "VAMOS BRASIL!".

Foi de Garra e de Amizade!

Eu jogo esportes coletivos há algum tempo - e mesmo assim, não encontrei palavras para explicar esse campeonato. 

Mas uma coisa eu posso dizer: Jaqueta, Tati, Lau, Nina, Fer, Mimito: lutamos e saímos de cabeça erguida. Tenho muito orgulho de ter passado essa experiência com vocês.

Filho Teu Não Foge À Luta.

Hasta La Vista, P****!



quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Finding inspiration in books


I'm reading a book about the Ronda Rousey and I'm FASCINATED. I have not even reached 25% of the reading yet and each chapter inspires me a little in the struggle of a woman, in a path unknown to the genre to show that YES, it is possible to pursue their dreams. I know that she had a great defeat in the past days, and I know they will value this detail more in the present times than other details. But there is no deny: if it weren't for Ronda, the competitors themselves would not have had room to develop and open the paths they are going through now. Anyway, I'm in super fan mode this week. And one thing that got my attention is that she talks about all her fights: from the one of who wants to wake up later and needs to train, from the fight between reconciling life and her dreams, the daily struggle to become a carrer person and a woman. That is, she has shown that every fight is valid. And each one has its own personal battle - small or large - but all valuable to whoever faces it! In my life, I bought a fight in February 2015 - after my thyroidectomy, I was trying to get back to golf and cricket practice and I heard a gentleman say: "Roberta, you will never be the same as before. You had Cancer and your body is not the same anymore. " Damn it!

What do you mean? Will I never be able to be an athlete? Will my life change, and will I be that person at the office desk going to the plaza on the weekend? Will I change my crazy routine into a predictable one? And the future? And now? I was not even 30 years old yet. So much that I wanted to do and achieve. It's not possible that I would have to abandon those dreams now. I was shocked! For a few days...

But I am a Moretti and the stubbornness has struck! I promised myself I would show that YES, it was possible to return to the life I had before and I would show.

These were months of daily battles. Trainings with pain, endless fatigue, difficulty in performance, concentration, memory. Each day with goals hit seemed a whole war defeated. These good days happened once a week, then twice, then 3 times...

During these months, Studio Ação came along, who offered to help in the physical area (they are a functional training gym in my hometown). A few months later, I received help on the nutritional side. And in a few months my body was back to normal, the training was as before and the mindset started to believe again. I returned to the competitions of golf and cricket still in 2015, I had great achievements and today I am in my best physical and professional moment.

The battle is STILL a daily one. There are moments that the pains return, the hormonal control has to be constant, my mind sometimes is slaughtered, and don’t feel like training. But with every bad moment, I want to be stronger. I want to be more on top and look at that day that "I would never be the same as before," hit my chest and say: NO, I WON’T.

Today, I am better than I was before 2015! And I want to be better every day.

Every training session. Every competition.
I want to be better with every fall. Every disappointment. Every moment of weakness.

The fight is now. It is to overcome barriers and say: YES, I can!

We ALL can all, every day!

The first step to getting what you want may be the next one.

Believe in it. NOW! ;)



terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sobre livros que inspiram

Estou lendo um livro sobre a Ronda Rousey e estou FASCINADA. Não cheguei nem em 25% da leitura ainda e cada capítulo me inspiro um pouco na luta de uma mulher, num caminho desconhecido para o gênero para mostrar que SIM, é possível buscar seus sonhos.

Eu sei que ela teve uma grande derrota atualmente, e sei que vão valorizar mais esse detalhe nos tempos atuais que outros. Mas não há o que negar: se não fosse ela, as próprias concorrentes não teriam tido espaço para se desenvolver e abrir os caminhos que estão percorrendo agora. Enfim, estou no momento super fã essa semana.

E algo que me chamou atenção é que ela fala de todas as suas lutas: daquela de quem quer acordar mais tarde e precisa treinar, da luta entre conciliar a vida e seus sonhos, a luta diária de se fazer profissional e mulher. Ou seja, ela evidenciou que toda batalha é válida. E cada um tem a sua própria batalha pessoal - pequena ou grande, mas todas de valor para quem a tem!

Na minha vida, eu comprei uma batalha em fevereiro de 2015 - após minha cirurgia para retirada da tireoide, estava tentando voltar aos treinos de golfe e cricket e ouvi um senhor falar: "Roberta, você nunca mais vai ser a mesma de antes. Você teve Câncer e seu corpo não é mais o mesmo."

Caramba!

Como assim? Será que eu nunca mas vou conseguir ser atleta? Será que minha vida vai mudar e vou ser aquela pessoa na mesa do escritório indo à praça no fim de semana? Será que vou trocar minha rotina louca por uma rotina previsível? E o futuro? E agora? Eu não tinha nem 30 anos ainda. Tanta coisa que eu queria alcançar e conseguir. Não é possível que eu iria ter que abandonar esses sonhos agora. Me vi chocada! Por alguns dias...

Mas sou Moretti e a teimosia bateu! Eu me prometi que iria mostrar que sim, era possível voltar a vida que tinha antes e eu iria mostrar.

Foram meses de batalhas diárias. Treinos com dores, cansaço interminável, dificuldade de performance, concentração, memória. Cada dia com objetivos atingidos pareciam uma guerra inteira vencida. Esses dias bons passaram a acontecer uma vez à semana, depois 2, depois 3... 

No meio do caminho, surgiu o Studio Ação, que se ofereceu para ajudar na parte física. Alguns meses depois, recebi ajuda na parte nutricional. E em poucos meses o meu corpo voltou à normalidade, os treinos voltaram a ser como antes e a cabeça voltou a acreditar. Voltei às competições de golfe e cricket ainda em 2015, consegui conquistas lindas e hoje estou no meu melhor momento físico e profissional.

A batalha AINDA é diária. Há períodos que as dores voltam, o controle hormonal tem que ser constante, o psicológico às vezes se abate, que não dá vontade de ir treinar. Mas a cada baque, eu quero ser mais forte. Quero dar uma volta ainda maior por cima e olho praquele dia que "eu nunca seria a mesma de antes", bato no peito e digo: NÃO MESMO.

Eu hoje sou melhor que era antes de 2015! E quero ser melhor a cada dia. 
A cada treino. A cada competição. 
Quero ser melhor a cada tombo. A cada decepção. A cada momento de fraqueza.

A luta é agora. É vencer barreiras e dizer: eu posso sim! 

Todas nós podemos, todos os dias!

O primeiro passo para conseguir o que você quer pode ser o próximo.

Acredite. Agora!






  

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Sobre um Sul Americano


Essa é a imagem que tenho na minha cabeça do campeonato.

Há cerca de três meses tivemos algumas mudanças na Seleção. Perdemos nossa capitã, perdemos nossa rebatedora de abertura e perdemos nosso coach. Tudo junto. Em uma só mensagem.

Eu, que já estava a mil no organização da viagem do Sul Americano, levei alguns momentos pra me recompor. Eu sabia que um dia eu teria que tomar essa decisão com o cricket - mas nunca imaginava que seria agora. 

Respirei e me coloquei a disposição para ser Capitã da equipe e estruturar o time para o Campeonato. E junto comigo, foi indicada e mais que aceita, outra parceira de equipe, Ana!

E foram três meses de noites dormidas pela metade, stress, planilhas, números e determinação. Eu já tenho uma rotina acelerada somente com o meu trabalho, família e treinamentos - de golfe e cricket - então, adicionar as atribuições da capitania da Seleção foi algo que levou minha ansiedade e tensão a mil. Me fez pensar: o que eu posso fazer em três meses que fará o time dar e ser o seu melhor? Como eu posso melhorar esse time?

Junto com a Ana, fizemos um plano. E seria jogar com Respeito, jogar com Garra e jogarmos Unidas! Que mesmo com todas as dificuldades que todas as jogadoras estavam passando, íamos dar o nosso melhor e lutarmos!

E o campeonato foi assim! Foi como essa foto. Foi de garra, foi de trazer o melhor de cada uma, foi de dar 1% a mais daquilo que costumamos dar. 

Vi jogadoras tímidas serem mulheres de peito no jogo. Vi meninas se tornarem muralhas no fielding. Vi arremessos que jogadoras experientes não batiam. Vi rebatidas em quem não confiava e vi confiança ser dividida por quem não acreditava mais.

Chorei, gritei, me emocionei.

Foi de crescer a cada dia e chegar como o melhor time que podíamos ser na final! 

E chegamos. Perdemos a final em detalhes. Lutamos até a última bola.

Saímos aplaudidas de pé por todos que assistiam. 

E disse para minha equipe e repito: se não estamos no cricket por esses momentos, não sei porque estamos aqui.

Obrigada, Seleção Brasileira de Cricket Feminino 2017!
Somos Vice Campeãs com gosto de quero mais.

Que venha Bogotá 2018!



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Sobre aquele swing bonito

Há momentos que você é pura serenidade!

E há momentos que é a descrição do caos!

Nesse campeonato, fui ambos. Joguei o 25° Aberto Feminino do São Paulo Golf Club - campo que amo e conto sempre os dias para jogar. Tenho memórias lindas desde a infância e joguei o Aberto em 2014 antes da minha cirurgia. 

No campo, tive calma. Uma calma que vem se desenvolvendo há algum tempo e que pra mim, parece sobrenatural. Eu, italiana, Moretti, ligada no 220 estou calma. Serena. Dentre os resultados de jogo que tive, há alguns anos, teria quebrado alguns tacos e feitos alguns escândalos. Mas não dessa vez. Eu respirei e segui em frente.

Uma lady.


Fora de campo, tive o caos. Apesar da maturidade nos 18 buracos, mostrei que ainda preciso crescer muito fora deles. Eu estava fora de mim - não acreditei no que havia feito em campo, agi de forma contrária ao que prego quanto à preparação mental e claro, não melhorou em nada meu jogo. 

Morettinha teimosa!

No caminho de casa, em quase 4 horas dirigindo - com reflexão e amigos cheguei ao seguinte questionamento: Afinal, no que esse caos vai mudar minha vida?

E foi o meu ponto de mudança.

Acordei hoje plena. Com vontade. Com garra e determinação. 

E se não der certo, levantamos de novo e continuamos.

Porque se não for se divertir no caminho, não espere a felicidade no pote de ouro.










segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sobre altos e baixos

Junho foi o mês escolhido para o golfe.
São 5 semanas (agora 6, com a adição do Aberto do Gávea) de torneios e viagens pelo sul e sudeste do Brasil fazendo uma das coisas que mais amo: competir. 

Começamos com o Bandeirantes, no Lago Azul Golf Club, em Sorocaba. 

Há dois dias antes de viajar, senti uma fisgada abaixo da costela esquerda. Já tinha sentido isso antes e achei que fosse passar. Não era o que eu queria pré-torneio. 
Não passou. E doia.
Corri para a fisio e coloquei bandagens para estabilizar aquela área e prevenir dores. Já utilizei as bandagens antes para competir e sei que me ajudam. 

Naquele momento tinha dores até para respirar. Dormir era um desafio.

A dor durou 2 dias. Viajei "enrolada" em bandagens. Mas não senti nada!

QUE BOM!


Aí começou a maior parte do trabalho.

Foi um campeonato de jogo mental. De controle de putter.
Foi de correr atrás. Acertar bem. De errar grande.

Foi Campeonato de melhores tacadas da vida. E de erros infantis. 
Às vezes até junto!

Foi Campeonato de mais altos que baixos. 
Foi melhor que os erros cometidos.
Foi pior que as tacadas que executei.

Mas foi positivo.
Mentalmente.

E bola pra frente!

Vice Campeã Aberto Bandeirantes 2017